Pela ciência, o bebê não parece sistematicamente mais com o pai nem com a mãe: a maioria das crianças lembra os dois em medidas parecidas. Um estudo de 1995 na revista Nature disse que bebês de 1 ano se parecem mais com o pai, mas as pesquisas seguintes não conseguiram repetir o resultado. O que se repete, isso sim, é a família dizendo “é a cara do pai”, e há uma explicação curiosa para isso.
Abaixo estão os estudos, o que eles mediram, os mitos sobre traços “dominantes” e um jeito divertido de imaginar a mistura de vocês.
O estudo que disse “é a cara do pai”
Em 1995, dois psicólogos da Universidade da Califórnia em San Diego publicaram que bebês de 1 ano se parecem mais com o pai. O estudo de Christenfeld e Hill, na Nature, pediu a voluntários que ligassem fotos de crianças às fotos dos pais e das mães. Os voluntários acertaram o pai com mais frequência do que a mãe.
A explicação proposta era evolutiva. A mãe sabe que o bebê é dela; o pai, em tese, não tem a mesma certeza. Um bebê parecido com o pai deixaria o pai mais seguro e mais disposto a cuidar. A ideia era elegante e virou notícia no mundo todo, e é por isso que até hoje aparece em textos sobre o assunto.
O que as pesquisas seguintes encontraram
Os estudos que vieram depois não confirmaram que o bebê puxa mais o pai. Alguns encontraram até o contrário nos primeiros dias de vida:
| Estudo | O que fez | O que encontrou |
|---|---|---|
| Christenfeld e Hill, 1995 (Nature) | Voluntários ligaram fotos de crianças de 1 ano aos pais | Acertaram mais o pai do que a mãe |
| Brédart e French, 1999 (Evolution and Human Behavior) | Repetiram o teste com crianças de 1, 3 e 5 anos | Mães e pais foram reconhecidos igualmente; a semelhança com o pai, embora acima do acaso, foi modesta |
| McLain e colegas, 2000 (Evolution and Human Behavior) | Pessoas de fora da família compararam recém-nascidos com os pais nos primeiros dias | Os bebês foram ligados mais à mãe; as mães, porém, diziam que o bebê parecia com o pai |
| Bressan e Grassi, 2004 (Evolution and Human Behavior) | Usaram um conjunto maior de fotos de crianças de 1 ano | A maioria dos bebês se parece com os dois pais na mesma medida; alguns lembram mais um, alguns mais o outro |
Em resumo: há bebês que são “a cara do pai” e bebês que são “a cara da mãe”, mas não existe uma regra que favoreça um lado.
Por que todo mundo diz que o bebê é a cara do pai
Porque dizer isso é quase um costume, e a ciência registrou o costume. No estudo de McLain e colegas, as mães tendiam a dizer que o recém-nascido se parecia com o pai, mesmo quando pessoas de fora viam mais semelhança com a mãe. Os autores sugerem que o comentário funciona como uma forma de tranquilizar o pai sobre a paternidade.
Há também um motivo bem prático: rosto de recém-nascido muda muito. Nos primeiros dias, o rosto pode estar inchado do parto, o nariz achatado e os olhos fechados boa parte do tempo, como explicamos em bebê recém-nascido feio?. Com tão poucos traços definidos, cada um vê o que quer ver.
Mitos dos traços “dominantes”
A maior parte do que se repete sobre traços “que sempre ganham” é simplificação. Os mais comuns:
- “Olho castanho sempre ganha.” A MedlinePlus Genetics, da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, explica que a ideia de um gene só, com o castanho dominante, se mostrou simples demais. A cor dos olhos depende de vários genes, e até dois pais de olhos azuis podem, raramente, ter um filho de olhos castanhos. Mais em cor dos olhos do bebê.
- “Covinha é dominante, então vai nascer com covinha.” A MedlinePlus Genetics diz que a covinha costuma ser considerada um traço dominante, mas que há pesquisadores que dizem não haver prova de que ela seja herdada, e que nenhum gene foi identificado. Além disso, muitos bebês têm covinhas por causa das bochechas gordinhas, que somem quando crescem.
- “Menino puxa a mãe, menina puxa o pai.” Não há estudo que mostre isso para o rosto. O que é verdade: o menino recebe o cromossomo X da mãe e o Y do pai, e a menina recebe um X de cada (ACOG). Mas o rosto depende de genes espalhados por muitos cromossomos.
- “A cor da pele fica no meio dos dois.” A cor da pele envolve muitos genes, e o bebê pode ser mais claro ou mais escuro que os pais. Veja cor da pele do bebê.
Como observar com quem o bebê vai parecer
Compare fotos de bebê com fotos de bebê, não com o rosto adulto dos pais. Um adulto tem traços que um bebê ainda não tem, como o nariz formado e o rosto mais fino. Para brincar de comparar:
- Peça aos avós as fotos de vocês dois com a mesma idade do bebê: 1 mês, 6 meses, 1 ano.
- Compare traço por traço: formato dos olhos, orelhas, boca, linha do cabelo. Uma criança costuma ter um pouco de cada lado.
- Repita a comparação depois de alguns meses. A semelhança muda com o tempo; foi exatamente por isso que os estudos testaram idades diferentes.
- Inclua os avós. Não é raro um bebê lembrar mais uma avó do que qualquer um dos pais.
Um jeito divertido de imaginar a mistura
Antes de o bebê nascer, dá para brincar de imaginar o rosto a partir dos pais. No gerador de bebê do SeeMyBaby, você envia uma foto do pai e uma da mãe e recebe um retrato imaginado de um recém-nascido que mistura os dois. Se a curiosidade é ver o bebê crescido, há também a prévia de como ele seria aos 4 anos, uma compra única.
É uma brincadeira, não uma previsão: como os estudos mostram, nem a ciência consegue dizer de antemão com quem o bebê vai parecer. O retrato serve para rir, comparar e, depois do parto, ver quanto a imaginação errou ou acertou. Para entender como esses geradores funcionam, leia como será meu filho com inteligência artificial.
Mais textos sobre aparência no blog do SeeMyBaby.
Perguntas que os pais fazem
O bebê parece mais com o pai ou com a mãe?
Na maioria dos casos, com os dois em medidas parecidas. O estudo que dizia que bebês se parecem mais com o pai não foi confirmado por pesquisas seguintes.
Com quem o bebê vai parecer quando crescer?
Não dá para saber de antemão. O rosto muda bastante nos primeiros anos, e a semelhança com cada lado da família pode ir mudando junto.
Por que dizem que todo recém-nascido é a cara do pai?
É um comentário comum na família, e um estudo mostrou que as próprias mães tendem a dizer isso, mesmo quando pessoas de fora veem mais semelhança com a mãe.
Como saber se o bebê parece com o pai?
Compare o bebê com fotos do pai na mesma idade, e não com o rosto adulto. Olhe traço por traço e repita depois de alguns meses.
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