Com quem vai parecer

Cor da pele do bebê: como a genética funciona e quando define

A cor da pele do bebê depende de muitos genes dos dois lados da família e escurece aos poucos depois do nascimento. Por que o ultrassom não mostra a cor.

A cor da pele do bebê é decidida por muitos genes herdados do pai e da mãe, por isso costuma cair em algum ponto entre os tons das duas famílias, e irmãos podem nascer com tons bem diferentes. Ela também não está pronta no nascimento: todos os bebês nascem com a pele mais clara do que terão depois e escurecem aos poucos nos primeiros meses. E não, nenhum ultrassom, nem o 4D, mostra a cor da pele.

Abaixo está como a genética funciona, o que a pesquisa brasileira mostra sobre cor e ancestralidade, e o que esperar da pele do recém-nascido.

A cor da pele vem de muitos genes, não de um só

A cor da pele é uma característica poligênica: muitas variantes genéticas empurram o tom um pouco para mais claro ou mais escuro. O pigmento por trás disso é a melanina. Segundo a MedlinePlus Genetics, as células da pele produzem dois tipos: a eumelanina, marrom-escura, e a feomelanina, avermelhada-amarelada. O equilíbrio entre elas e a quantidade produzida ajudam a definir a cor da pele e do cabelo.

Vários genes controlam esse processo:

  • MC1R decide qual tipo de melanina é produzido; variações comuns nele estão ligadas à pele clara com sardas que costuma acompanhar o cabelo ruivo (MedlinePlus).
  • OCA2 produz uma proteína essencial para a pigmentação normal (MedlinePlus).
  • Outros ainda estão sendo descobertos. Um estudo de 2017 na revista Science, com populações africanas diversas, encontrou variantes em ou perto de seis genes ligadas à pigmentação da pele, incluindo SLC24A5, MFSD12, OCA2 e HERC2.

A conclusão prática: não existe uma regra simples, do tipo “pai moreno mais mãe branca dá bebê moreno claro”.

No Brasil, a aparência diz pouco sobre a herança

Um estudo brasileiro mostrou que a cor que vemos em alguém é um mau indicador da ancestralidade genética dessa pessoa. A pesquisa, publicada na PNAS em 2003 por Parra e colegas, avaliou a cor de pessoas de uma comunidade rural do Sudeste e mediu a ancestralidade africana pelo DNA. Os grupos “branco”, “intermediário” e “preto” tiveram grande sobreposição genética. Em 200 homens brancos das quatro grandes regiões do país, a ancestralidade africana ficou entre a dos europeus e a dos africanos, inclusive no Sul.

Os autores concluíram que, no Brasil, a cor avaliada pela aparência é um mau preditor da ancestralidade africana de cada pessoa. Para quem espera um bebê, isso tem uma consequência simples: os dois pais podem carregar variantes que não aparecem na própria pele, e o bebê pode herdá-las.

Por que o bebê pode ser mais claro ou mais escuro que os pais

Cada pai e cada mãe passa uma metade sorteada das suas variantes genéticas, então cada filho recebe uma mistura diferente. Na prática:

  1. O bebê costuma ficar entre os pais, porque recebe variantes “mais claras” e “mais escuras” dos dois lados.
  2. Ele pode ser mais claro ou mais escuro que os dois. Se ambos carregam variantes que não aparecem, o filho pode herdar mais de um tipo do que qualquer um dos pais.
  3. Irmãos podem ter tons bem diferentes. São dois sorteios diferentes, o que é comum em famílias brasileiras.
  4. Avós dão pistas. O tom dos avós e bisavós mostra melhor quais variantes circulam na família do que a pele dos pais sozinha.

Por isso, uma “calculadora da cor da pele do bebê” não é confiável. Tabelas que fazem a média dos tons dos pais ou usam um quadro de Punnett com dois genes são modelos de sala de aula, não medições.

Dá para ver a cor do bebê no ultrassom 4D?

Não. O ultrassom não tem cor. A ACOG, o colégio americano de obstetras e ginecologistas, explica que o aparelho envia ondas sonoras pelo corpo e transforma os ecos que voltam em imagens. Os ecos mostram formas e densidades, não pigmento.

O tom dourado ou alaranjado das imagens 3D e 4D é uma paleta escolhida no aparelho para deixar o relevo do rosto mais fácil de ver. Um bebê de pele bem escura e um de pele bem clara aparecem na mesma cor na tela. O que o 3D mostra é formato: nariz, lábios, bochechas. Comparamos o que o exame mostra com o bebê real em ultrassom 3D x realidade.

Como é a pele do recém-nascido nos primeiros dias

A pele do recém-nascido muda muito de cor na primeira semana, e isso não tem relação com o tom definitivo. A MedlinePlus descreve a pele de um bebê saudável ao nascer como vermelha intensa ou arroxeada, com mãos e pés azulados. No segundo ou terceiro dia, ela clareia um pouco e pode descamar.

Outras cores que aparecem:

O que você vê O que costuma ser Fonte
Pele vermelha ou arroxeada ao nascer Cor normal; clareia em 2 a 3 dias MedlinePlus
Pele mais clara que a dos pais Todo bebê nasce mais claro e escurece aos poucos AAP
Manchas azul-acinzentadas nas costas ou bumbum Mancha mongólica, muito comum em bebês de pele escura AAP
Pele e olhos amarelados Icterícia, comum entre o 2º e o 4º dia; precisa ser avaliada MedlinePlus

A icterícia merece atenção: a MedlinePlus diz que ela costuma sumir em até duas semanas, mas que todo bebê amarelado deve ter a bilirrubina avaliada. Fale com o pediatra. Outras mudanças dos primeiros dias estão em bebê recém-nascido feio? Por que o rosto muda.

Quando a cor da pele do bebê se define

Não há uma data exata em que a cor da pele fica “pronta”. A Academia Americana de Pediatria diz que todos os bebês, inclusive os de família negra, nascem com a pele mais clara e que ela escurece gradualmente com o tempo. Os vermelhos, azuis e amarelos da primeira semana somem bem antes, então ao fim das primeiras semanas você já tem uma ideia melhor do tom do seu bebê. Depois, o sol muda a pele de qualquer pessoa.

Outras características seguem calendários próprios: a cor dos olhos pode mudar durante o primeiro ano, como explicamos em cor dos olhos do bebê, e o cabelo de recém-nascido costuma cair e voltar diferente.

Como o SeeMyBaby usa a origem da família num retrato imaginado

Se você quer brincar com uma possibilidade, o gerador de bebê do SeeMyBaby usa uma foto de cada um dos pais e imagina um recém-nascido que mistura os dois. Antes de gerar, o app pergunta a origem da família (as opções incluem branca, negra, latina, asiática ou prefiro não dizer), e essa resposta orienta o tom de pele e os traços do retrato.

É um retrato imaginado, não um resultado genético. Com tantos genes envolvidos, a resposta honesta para “qual vai ser a cor do meu bebê?” é uma faixa de possibilidades, e o retrato mostra só um ponto dela.

Fontes

Mais guias sobre genética e aparência estão no blog do SeeMyBaby, como o bebê parece mais com o pai ou com a mãe?.

Perguntas que os pais fazem

Como saber a cor da pele do bebê antes de nascer?

Não existe exame de rotina que mostre isso. O ultrassom não tem cor, e a genética da pele envolve muitos genes, então o máximo que se pode dizer é que o tom deve ficar dentro da faixa das duas famílias.

O bebê nasce branco e depois escurece?

Sim, isso é esperado. A Academia Americana de Pediatria diz que todos os bebês nascem com a pele mais clara e escurecem aos poucos.

A cor da pele do bebê se define com quantos meses?

Não há um mês exato. As cores da primeira semana somem em dias ou semanas, e o tom vai escurecendo gradualmente nos primeiros meses.

O bebê pode ser mais escuro que o pai e a mãe?

Pode. Os pais podem carregar variantes que não aparecem na própria pele, e o bebê pode herdar mais delas do que cada um dos pais mostra.

Sarina GomezEditora, SeeMyBaby

Sarina Gomez é o pseudônimo da equipe editorial do SeeMyBaby.

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